Terça-feira, 8 de Maio de 2012

Economia e Inovação Social

Sábado participarei num debate promovido pela Associação para a Divulgação e Defesa do Património de Torres Vedras sobre o tema Economia e Inovação Social. A este propósito cito uma expressão muito referida por outro participante “A loucura é fazer o mesmo de sempre e esperar resultados distintos.”

Não gosto de cair nos jargões habituais da inovação, como conceito vazio, muitas vezes inimigo de actividades tradicionais, associada às novas tecnologias e a uma ideia muito enviesada de fazer diferente. Para mim, uma definição possível de inovação pode vir na sequência do ciclo criatividade, invenção e inovação. Considerando esta última como algo dependente da sua aceitação em termos de mercado (seja ele de que tipo for) e a primeira como um processo cognitivo de geração de ideias originais ou incrementais. Deste modo, vou considerar um conceito de inovação social como um espaço experimental, de teste, que oferece uma possibilidade para a renovação dos serviços (privados ou públicos), mas também das principais forças que orientam e desenvolvem as nossas sociedades, aceite pelo mercado social, independentemente da sua sustentabilidade. Daí que a inovação social para se traduzir, no médio e longo prazo em benefício sustentável para economia necessite de ser gerida. Todavia, esta gestão pode ter várias vertentes, pois a inovação social e a sua medida de aceitação tem um certo grau de dificuldade para ser medida, nomeadamente no que diz respeito às suas externalidades, como por exemplo o contributo para o desenvolvimento de novos modelos sociais. Para além disso, a inovação social está muito mais ligada a personalidades próximas dos perfis de aventureiros e navegadores de outros tempos do que da clássica imagem do empreendedor. Trata-se provavelmente de um outro tipo de empreendedor, menos ligado às fórmulas, mais focado na atitude, no comportamento e num ideal. Trata-se de um perfil completamente distinto, nada standard. A criatividade é assim crítica e essencial. É uma arma estratégica para iniciar um ciclo de inovação. Faz parte do empreendedor social mas também da inovação social enquanto contexto. Ou seja, será tão importante os bloqueadores e assassinos da criatividade tão presentes na sociedade serem controlados e evitados como será importante dar oportunidade e potenciar os novos descobridores! Ela é em si também necessária para sairmos individual e colectivamente de situações de crise como a que passamos. Para isso é condição de base não termos baixado a níveis que impossibilitem de forma autónoma este processo criativo. É necessário não cairmos numa desesperança aprendida. A Economia precisa da criatividade, precisa das pessoas por isso mesmo. Neste momento, parece contra as pessoas e a sua criatividade. No seu discurso ao país remetido também ao Presidente da República, por ocasião do 1.º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Telmo Baptista, Bastonário, disse "Por isso, se é certo que hoje em dia é difícil escapar ao discurso sobre a Economia, é também importante dizer que essa economia deve ser a Economia que tem em conta as pessoas, os seus objectivos, sonhos e aspirações, e não a economia tornada pesadelo dos mercados abstractos, incompreensível, incapaz de nos ajudar a ter uma vida melhor."

Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Loja do Cidadão no Serpa Pinto Plaza

O PSD torriense apresentou uma proposta para localização da futura loja do cidadão em Torres Vedras. Como é público, há já bastante tempo que o executivo camarário propôs este projecto de Loja do Cidadão para Torres Vedras avançando com uma localização adjacente ao novo mercado municipal. Esta opção, foi defendida pela autarquia pela necessidade de cumprir com alguns requisitos que, segundo o executivo, teriam sido impostos pela administração central, tais como estacionamento acessível e uma área mínima para os serviços aí a implantar. Pela notícia do jornal Badaladas de 17 de Fevereiro, a localização preconizada pelo executivo há já algum tempo, enferma de alguns problemas de execução a curto prazo, pelo que se equaciona o Serpa Pinto Plaza, em pleno Centro Histórico, como localização alternativa, conforme proposta do PSD.

Antes de opinar sobre esta proposta gostaria de reafirmar o meu interesse directo nesta matéria pois sou co-proprietário da Livrododia, livraria também situada no Centro Histórico, por sinal bem próximo do Serpa Pinto Plaza.

Sobre a proposta apresentada e as suas vantagens

Esta localização parece-me responder a uma necessidade crítica e urgente do Centro Histórico e do seu comércio tradicional. Esta parece-me ser a única forma de forçar fluxos para esta zona que foram sendo completamente destruídos com o novo centro comercial e com a crise económica. Se uma medida deste tipo não for tomada no mais curto prazo possível, o já pouco comércio restante nesta zona desaparecerá. Toda recuperação futura, económica e urbanística sairá muito mais cara, tanto a privados como ao estado, que somos todos nós.

Existem medidas alternativas a esta? Não creio. Onde está capacidade de localização a curto prazo de serviços ou outros empreendimentos que tragam fluxos para esta área da cidade? Não existe capacidade financeira para tal. Podem ser captadas lojas âncora para aqui? Não me parece pois a espiral económica descendente ainda vai no adro.

E como é esta localização quando comparada com a anterior junto ao mercado municipal?
 
Esta nova localização ajuda a criar uma nova centralidade e fluxos para a mesma, o que não acontecia com a localização junto ao Mercado Municipal. Este já é uma âncora por si mesmo, e a área não iria beneficiar tanto como a zona histórica mais a oeste que possui uma degradação e desertificação muito maior. 

Até hoje não se encontraram soluções capazes de contrariar a perda de fluxos do centro histórico para outras zonas da cidade ou periferia. A inversão desta situação é urgente e complexa. Todavia, será difícil encontrar soluções mais equilibradas em termos de recursos públicos e efeito imediato da sua localização como aquela que poderá ser conseguida com a Loja do Cidadão.

Em termos de estacionamento temos a Expotorres, a Câmara Municipal e o Mercado. No que diz respeito à área necessária para a implementação da Loja do Cidadão, o Serpa Pinto Plaza também preenche os requisitos. Estes estacionamentos, a cerca de 5 minutos a pé, tem o benefício de criar fluxos transversais ao centro histórico, beneficiando outras áreas para além da intervencionada.

Para além de dar uso a um espaço de grandes dimensões completamente ao abandono em pleno coração do centro histórico esta poderá ser a única âncora a curto prazo para tentar evitar a total destruição do que resta de actividade económica no centro histórico, principalmente na área oeste do mesmo.

Tenho a esperança que as questões partidárias se tornem secundárias nesta discussão e que ambos os partidos na vereação da Câmara sejam capazes de negociar as condições necessárias à viabilização desta solução de localização da Loja do Cidadão. Pelo bem do Centro Histórico, pelo bem de todos nós...


Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

1.º Congresso da Ordem dos Psicólogos


A Ordem dos Psicólogos tem-se afirmado desde o início como diferente. Diferente, na sua criação pois não tendo quaisquer padrinhos demorou 7 anos a ser criada. Diferente, pois nasceu absolutamente do zero contando apenas com o esforço dos Psicólogos, com o seu trabalho e os seus recursos. Diferente, na adopção de políticas de transparência nos seus actos. Diferente, na forma como tenta promover os Psicólogos, de um modo criativo, original e utilizando como pioneira as redes sociais como meio de divulgação de informação. Agora, para promover o seu 1.º Congresso lançou o vídeo que aqui divulgo e quero convosco partilhar.

Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011

Carta aberta aos meus filhos

Todos temos os nossos heróis. Ainda me recordo de alguns dos meus heróis de infância. Aqueles que nos fazem sonhar num mundo mais justo onde ganham os bons e onde os maus são castigados. Quando crescemos vamos perdendo a capacidade de acreditar na existência de heróis ou de os reconhecer. Sonhar é muitas vezes mais complicado. Complicamos o que é simples e temos mais dificuldade em lidar com os problemas dos dia-a-dia. Os heróis fazem-nos acreditar. Às vezes os heróis são grandes lideranças. Mas nem sempre o Mundo tem estes exemplos para seguirmos e por isso faltam-nos esses heróis.

Ao olhar para vocês tive a felicidade de encontrar os meus heróis. Todos os dias vocês enfrentam novos desafios. Todos os dias têm que se adaptar a coisas novas. Todos dias utilizam a vossa criatividade e inovam. Todos os dias lidam com os vossos medos, choram, riem, gritam, acariciam, apoiam, zangam-se e fazem as pazes. No futuro enfrentarão obstáculos que eu não imagino, resolverão problemas que eu não consigo solucionar, terão dificuldades que eu nunca tive, conhecerão realidades que eu não imagino, adaptar-se-ão a mais coisas do que aquelas que eu até agora tive que me adaptar ou virei a ter que me adaptar, sentir-se-ão perdidos perante caminhos difíceis de trilhar, arriscarão as opções que eu jamais escolheria. Serão diferentes. Enfrentarão um mundo que para mim será cada vez mais difícil de perceber e que hoje terei dificuldade em imaginar. Por tudo isto meus filhos, vocês são os meus heróis. Eu vosso fã tudo farei para vos ajudar na vossa missão com a certeza que será sempre pouco para aquilo que vocês saberão fazer nesta ou noutras situações mais difíceis mas com a consciência que mesmo os heróis têm pontos fracos e que ninguém mais do que os vossos pais vos quer tão insistentemente proteger desse inevitável e permanente confronto com as vossas fraquezas, sombras e receios.


São os meus heróis!

Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011

As férias de Verão ainda existem?

Os dias de Verão pareciam intermináveis! As férias de Verão eram tão grandes que por vezes tínhamos vontade que as aulas voltassem. Eram dias em cheio, de todas as brincadeiras, quando ainda se brincava na rua, toda a cidade era o nosso mundo e via-se no Verão Azul as férias que muitos gozávamos com uma bicicleta como parte de nós. Para mim a dimensão que percepciono de férias de Verão traduz uma boa parte daquilo que é a qualidade de vida. No fundo, a sensação de infinito desta vivência traduz a juventude que transportamos. Entenda-se aqui juventude como quem tudo sonha, tudo quer e tudo pode. Confunde-se com o prazer no futuro. Tenho tantas saudades desta sensação que desejo duas coisas: que os meus filhos também a possam viver e que eu a vá conseguindo depenicar de vez em quando.

Terça-feira, 19 de Julho de 2011

A crise

Esta crise já ganhou o direito a ser "a crise". Estatuto almejado apenas por situações extremas e altamente instáveis causadoras de grandes transformações humanas, sociais, económicas e políticas. As responsabilidades são internas e externas. Portugal, é pequeno, e dificilmente entraria numa crise sozinho quando está aberto ao exterior como agora acontece. Mas contribuiu. Somos um aluno que fez alguns bons anos de escola, quando fazer simplesmente o que os professores mandavam chegava para ter bons resultados (pelo menos quando os professores eram bons!). Quando era necessário mais esforço nos trabalhos de casa, mais autonomia, mais organização e método e... pensar pela própria cabeça encontrando o nosso próprio caminho...não apareceram os resultados! Todavia, esta crise tem um pano de fundo numa certa Europa "aristocrática". Uma Europa que parece instalada no conforto do pós loucos 30 anos posteriores à guerra. A Europa parece ainda não ter percebido que está a começar a vender os anéis. O seu domínio já tinha terminado com a segunda guerra mundial. O seu estatuto está agora a declinar. A Europa está como que agarrada a um título nobiliárquico, não merecido por quem o agora ostenta, dispensando certas áreas produtivas pelo conforto que isso traz no imediato mas sem perceber que está a entregar os trunfos ao adversário. A continuarmos assim, esta malga de nações, esta babel de culturas, línguas e interesses ficará sem capacidade de debate e de consensos, num declínio que a história exemplifica vezes sem conta. Portugueses agora, restantes europeus mais tarde, todos caminhamos para um empobrecimento progressivo. A não ser que se abale o conforto, tomando as decisões certas sejam elas quais forem. Crise é mesmo isso: momento de decisões. Quanto a ser uma oportunidade (com as costas largas dos chineses...naahh), talvez seja um exagero (melhor seria evitá-las!). Será que estamos já conscientes e aceitantes para a podermos aproveitar? Infelizmente não me parece! Espero estar redondamente enganado.

Terça-feira, 12 de Julho de 2011

6 anos de história

6 anos de alegrias e tristezas. 6 anos a tentar fazer diferente. 6 anos a favor do empreendedorismo, contra o marasmo e a favor da qualidade. 6 anos sem conhecer tempos de crescimento económico. 6 anos a lutar no caminho inverso à desertificação do centro histórico. 6 anos a apostar num sonho. 6 anos de um serviço público não reconhecido. 6 anos num período histórico sem paralelo no pós guerra e adverso a aventuras do género. 6 anos de combate pela cultura, independente, com poucos meios e ainda com tudo para provar. Obrigado aos nossos clientes por estes 6 anos. Obrigado aos nossos fornecedores e parceiros pela paciência e pelo risco que partilham. Para os próximos 6 anos será necessário que cada um de vocês traga um amigo também. As empresas como todas as instituições vivem se cumprem uma missão e se vendem o que necessitam para cumprir as suas responsabilidades, criando riqueza. As empresas que vivem, vivem de uma escolha feita pelos seus clientes e também pelos seus fornecedores. Estamos convictos que a luta que travamos por um melhor futuro para a Livrododia, faz parte de uma luta mais abrangente, por um Portugal melhor, mais igual nas suas diferenças, mais desenvolvido por que culto e educado, mas sustentável por que consciente nas suas decisões de consumo. Escolha um futuro, escolha Portugal, escolha no comércio tradicional, escolha a Livrododia! Obrigado!